No universo dos projetos para espaços de funções diversificadas existem três profissionais responsáveis pela qualidade do ambiente construído: o arquiteto, o designer de interiores e o ergonomista. Definir o papel e o momento deles atuarem no projeto é uma questão que deve ser estudada com cautela.
O design está em todo lugar. Talvez por isso seja tão difícil encontrar uma definição específica. O design de interiores está presente numa ampla tipologia de ambientes: de um evento cultural até hospitais e aeroportos. Seu objetivo principal está na busca do conforto e do fácil deslocamento dos espaços. Provavelmente, não existirá uma definição absoluta que agrade a todos, mas tentar achar pelo menos uma mais precisa pode ajudar até mesmo aos profissionais a entender suas responsabilidades (davis, 2005).
A funcionalidade do layout está ligada à organização dos componentes no interior do espaço, de forma a gerar uma melhor praticidade funcional. Isto se dá basicamente através da mais lógica organização do espaço. Um espaço mal projetado pode prejudicar o cotidiano dos usuários na medida que dificulta passagens, atrasa tarefas, ocupa mais espaço ou faz com que o espaço pareça menor.
O conforto ambiental considera as condições naturais e/ou artificiais que concorrem para a segurança, comodidade, bem estar e a própria saúde dos usuários. É proporcionado por meios artificiais (exaustão, ar-condicionado) e considera condições ergonomicamente adequadas de climatização. Tudo isso envolve sistemas de iluminação, ventilação natural, exaustão, refrigeração, calefação, sistemas de proteção acústica e térmica, sempre de acordo com as funções de cada espaço.
A iluminação é um fator relevante. Ambientes mal iluminados muitas vezes parecem menores, prejudicam a visão e criam áreas de sombra desconfortáveis. Já ambientes exageradamente iluminados, também causam desconforto em função da reflexão excessiva. O grande desafio é chegar a um projeto de iluminação equilibrado.
A acústica (níveis sonoros, fontes de ruídos e conversas indesejadas) também é um ponto relevante. A taxa de reverberação sendo elevada acarreta com o tempo, problemas como stress e perda auditiva. A garantia de um bom projeto de acústica é que a comunicação entre os usuários seja feita de forma clara e segura.
A ocasião da contribuição ergonômica
Segundo WISNER (1997), a contribuição ergonômica pode ser classificada em: ergonomia de concepção, correção e de conscientização. A primeira ocorre durante a fase inicial do ambiente. Requer um conhecimento profundo do programa visto que todas as decisões são tomadas em função de situações hipotéticas. Para um melhor conhecimento da situação inicial podem ser utilizadas metodologias sistêmicas de avaliação como a avaliação pós-ocupação (APO).2
Já a ergonomia de correção é aplicada em situações previamente existentes. Muitas vezes deixa de ser feita em sua totalidade, gerando resultados insatisfatórios em função dos custos elevados para sua aplicação.
A terceira, ergonomia de conscientização, ocorre em função das alterações sofridas pelo ambiente através de reformas, manutenção, etc. Sua importância é essencial para o correto funcionamento das fases anteriores.
Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. 2a edição. Reimpressão. São Paulo: escrituras, 2000.
Duda Meirinho